Girassóis

Verdades foram ditas
naquela noite maldita.
Olhos a crucificar inocentes.
Fogueiras trepidam
Corpos lançados a toda sorte.
De joelhos caí
As mão em prece coloquei:
-Pai, por que me abandonastes?
Segui teus passos e tuas palavras
e mesmo assim me abandonastes.
-Por que? Pai, por que?
Teu silêncio doí mais que as chicotadas
que açoitam minha carne ferida.
O galo cantou.
Estou de pé com a boca aberta
em meio ao campo de girassóis.
Um cheiro amargo invade minhas narinas
minhas roupas tingem-se de vermelho.
Gotas de sangue caem
das nuvens mortas
consumidas pelas misérias.
Elas caem e secam os girassóis.
Estou só.
Meus olhos querem chorar,
mas sinto-os secos.
O ódio tomou meu coração.
A paisagem me desola.
Estou aqui crucificado.
-Por que?
-Pai! Por que me abandonastes?!?

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