
Covardia
Procuro a morte
Como quem procura ouro.
Desejo a morte
Com a mesma vontade dos culpados que clamam por clemência.
Nela vejo a vida
Vida que em mim não há.
A morte traz mil faces
que a todo momento me sorri
mas como os loucos
a mim não vem.
Faceira, ligeira
nunca me deu uma rasteira.
Quisera eu tombar
ao chão do cemitério enovoado,
quisera eu conseguir
a graça que tanto busco
A de repousar segura
Sob a fria lápide de mármore.
Quisera eu.
Mas minha alma covarde
não é capaz de buscar
Sou daquelas que clamam
mas não perseguem.
Sou só
mais uma alma covarde
Que não tem coragem
de assumir sua viagem
Sou só mais uma alma covarde...

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