Tuesday, September 05, 2006

Tela


Serão necessários mais do que mordaças
Para calar minha opiniões.
Serão necessários mais do que brutalidades,
Pra fazer cessar meus gesto.
Serão necessários mais do que beijos,
Para seduzir meu coraçõ.
Serão necessários mais do que mentiras,
Para me ocultar a verdade.
Serão necessários mais do que abraços e afagos,
Para enfeitar minha dura realidade.
Serão necessários mais do que doces ilusões,
Para me afastar da podridão.

O mundo não faz nada, não é nada,
perto das dores de uma alma
dorida e açoitada pelo mundano e insano.
Verdades e mentiras estão acima dos gestos.

A beleza se esconde nas trevas.
Tudo não é mais o que era...
E eu não quero me deixar me levar por isso.
Quero seguir meu caminho
Seja ele qual for
E ser feliz custe o que custar...
Mesmo que para isso tenha que me sacrificar!

...


Os anjos, que regem todos os santos
Não regem os anti-santos,
que moram nos cemitérios
dos condenados por crimes nefastos
que aguardam os anjos.
Mas sem resposta permanecem
Pois não são santos...

Falsa Fúnebre


Pela estrada dos sem noção
o anjo da morte passa
sem deixar rastros
Só corpos.
Os homens o olham
hipnotizados perante tanta beleza.
Ela traz no pescoço
uma cruz virada
suas vestes são negras
são do mais puro veludo.
Teus cabelos curtos
a cobrir-lhe a face
eles são da cor da noite.
Óculos escuros
escondem seus olhos
que agora são brancos,
ela possui uma riso
caustico e atrevido.

A chuva que cai
não lhe molha o rosto
a água tem medo
medo de se contaminar.
O barulho da chuva
rege a orquetra do sarcasmo.

Enquanto as corujas piam
a morte dança sobre os corpos
que lhe matam a fome
de carne e luxúria.

Monday, September 04, 2006

5


Boca amarga,
só magoas.
Olhos frios,
alma dorida, consumida pelos mitos.
Orelhas sãs
de uma mente vã.
Narinas doentes
de um ser demente.
Tato instável
de um alguém deplorável.
Sentidos, sentidos,
que se sentem
sem serem sentidos
sentidos, sentidos.
Insignificantes sentidos
de ambientes ressarcidos
Jamais jazidos
sentidos, sentidos

Girassóis


Verdades foram ditas
naquela noite maldita.
Olhos a crucificar inocentes.
Fogueiras trepidam
Corpos lançados a toda sorte.
De joelhos caí
As mão em prece coloquei:

-Pai, por que me abandonastes?

Segui teus passos e tuas palavras
e mesmo assim me abandonastes.

-Por que? Pai, por que?

Teu silêncio doí mais que as chicotadas
que açoitam minha carne ferida.
O galo cantou.
Estou de pé com a boca aberta
em meio ao campo de girassóis.
Um cheiro amargo invade minhas narinas
minhas roupas tingem-se de vermelho.
Gotas de sangue caem
das nuvens mortas
consumidas pelas misérias.
Elas caem e secam os girassóis.
Estou só.
Meus olhos querem chorar,
mas sinto-os secos.
O ódio tomou meu coração.
A paisagem me desola.
Estou aqui crucificado.

-Por que?
-Pai! Por que me abandonastes?!?

A água da chuva
molha o rosto da multidão
que passa apressada pela vida.

Algo se ergue em meio ao vão
Um homem de olhos tristes
se fixa em meio ao monumento recém construído.

Parado ele fica por um tempo,
em seguida abre os braços,
faz um gesto...

Ninguém lhe nota.

!


Cada vez mais
negras palavras lhe invadem a mente,
Para furar-lhe os sentidos.
A cada momento um cristal de gelo
perfura suas células.
A cada momento, SE MORRE...

Não MAIS


A sala esta repleta de gente
Mas nenhuma estava presente
Todas ausentes
Nada sentem
Somente estão de corpo presente.
Suas mentes estão ausentes,
vagam em insanos mundos delinquente,
de povos inconsequentes.
Pobres pessoas presente
suas mentes estão ausentes.
Neste momento,
um prepotente
Ser indigente
reclama e diz ser gente.
Sua voz soa solene
mas suas intenções são dementes.
Inocente pessoa, sente-se,
tuas palavras
nadam em uma mar seco
de mentes ausentes.
Teus gestos são inconsequentes.
Pessoa inocente
aquieta tua mente presente.
Deixa-a livre
AUSENTE...

Thursday, August 31, 2006

Maresia


Tudo o que vem
Vai da mesma maneira que veio...
Silencioso, faceiro fatal
Vai e deixa uma ferida aberta
que não pode ser cicatrizada.
Por mais que se queira
nada é mais como era antigamente.
O tempo passa
a mata quem estiver em seu caminho.
O mundo é vil e cruel
E as pessoas não se respeitam.

Covardia

Procuro a morte
Como quem procura ouro.
Desejo a morte
Com a mesma vontade dos culpados que clamam por clemência.
Nela vejo a vida
Vida que em mim não há.
A morte traz mil faces
que a todo momento me sorri
mas como os loucos
a mim não vem.


Faceira, ligeira
nunca me deu uma rasteira.

Quisera eu tombar
ao chão do cemitério enovoado,
quisera eu conseguir
a graça que tanto busco
A de repousar segura
Sob a fria lápide de mármore.

Quisera eu.

Mas minha alma covarde
não é capaz de buscar

Sou daquelas que clamam
mas não perseguem.
Sou só
mais uma alma covarde
Que não tem coragem
de assumir sua viagem
Sou só mais uma alma covarde...